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Arte e sustentabilidade na era do antropoceno

A arte pode desempenhar um papel fundamental na sustentabilidade ambiental no nosso planeta. O caminho passa por “integrar arte com ciência e arte com inovação em todas as etapas do desenvolvimento sustentável”, sublinhou Miguel Araújo, investigador CIBIO-INBIO da Universidade de Évora (UÉ) na conferência «Artes e Sustentabilidade», que decorreu no dia 09 de maio, no âmbito das comemorações do Dia da Escola de Artes da UÉ.

Até recentemente “o ser humano geria a sua vida dentro de um planeta autorregulado” agora, já no período geológico do “antropoceno”, somos nós a “controlar uma grande parte dos processos biogeoquímicos do planeta”, interferindo nestes, como “agentes de regulação”, sublinou Miguel Araújo, porém, a tarefa parece ser “gigantesca”, por falta de preparação do Homem para tal mudança, apontou ainda o especialista em biodiversidade e alterações climáticas. Rejane Issberner, investigadora no Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, considera que o termo «Antropoceno» “foi criado para levar em consideração o impacto da acelerada acumulação de gases com efeito de estufa sobre o clima e a biodiversidade e, da mesma forma, dos danos irreversíveis causados pelo consumo excessivo de recursos naturais”. 

Integrar arte com ciência e arte com inovação em todas as etapas do desenvolvimento sustentável parece ser o caminho a percorrer para Miguel Araújo, evidenciando que “a dimensão do ploblema ambiental não se deve limitar a abordagens parcelares”, mas sim, “utilizar todas as capacidades do nosso cérebro - o hemisfério direito, ligado às artes e o hemisfério esquerdo, ligado às ciências - de uma forma integrada”, uma vez que, a solução para a sustentabilidade não deverá passar exclusivamente pela ciência”, é necessário, aponta o investigador, “integra-la com processos de inovação tecnológica, aproveitando o poder das artes para mudar mentalidades”.

Miguel Araújo reconhece que a nível mundial, há “alguns bons exemplos” desta ligação entre Arte e Ciência, consideradas “ilhas num vasto oceano”, ainda assim, o investigador reconhece que muitos produtores culturais “estão conscientes da sua responsabilidade, cujas capacidades e valências podem contruir para resolver alguns dos problemas”, uma vez que os cientistas “tomaram já consciência que não conseguem resolver os problemas deste ponto de vista de forma isolada, porque este é um problema que transcende a ciência, mas creio que estamos no bom caminho e, de certo modo podemos até estar otimistas que essas conexões sejam cada vez mais uma realidade”, concluí o Prémio Pessoa 2018. Resta saber se vamos a tempo de responder de forma articulada aos desafios ambientais que estamos sujeitos.

Publicado em 13.05.2019