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Encontro da Associação Portuguesa de Psicologia Experimental decorreu na Universidade de Évora

A Universidade de Évora (UÉ) organizou, nos passados dias 3 e 4 de maio, o 14.º Encontro da Associação Portuguesa de Psicologia Experimental, que reúne anualmente investigadores que em Portugal se interessam pela Psicologia Experimental com o objetivo de partilhar conhecimento, experiência e consolidar ou criar novas redes de trabalho.

O programa contou com apresentações “de elevadíssima qualidade” sublinhou Isabel Leite, professora do Departamento de Psicologia da UÉ, responsável pela organização, referindo-se, entre outras, à conferência de Alan Chun-Nang Wong, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong. Na sua apresentação Alan Wong abordou as capacidades de perícia que o ser humano demonstra ter no reconhecimento de várias categorias de objetos - rostos, pássaros, palavras, entre outras - e, apesar das diferenças na natureza dos estímulos, a existência de um marcador geral subjacente à natureza do processamento de objetos de perícia, o “processamento holístico” (HP).  Em geral, concluiu Wong, “o HP pode ser um marcador de conhecimento geral, mas as suas manifestações dependem das restrições específicas para diferentes domínios perceptivos”. Isabel Leite (UÉ), Paulo Ventura e Tânia Fernandes (Universidade de Lisboa) têm vindo a colaborar com Alan Chun-Nang Wong neste domínio de investigação da psicologia experimental.

Da mesma Universidade Chinesa de Hong Kong, Yetta Wong, apresentou o seu trabalho de investigação sobre a aquisição de perícia perceptiva, desta feita no domínio da música, referindo que "a capacidade de discriminação de um tom (pitch) absoluto é um fenómeno perceptivo raro, que se caracteriza pela habilidade de uma pessoa identificar ou recriar uma nota musical, mesmo sem ter um tom de referência, que é difícil mesmo entre músicos profissionais”.

A Conferência de Frederico Marques, e a apresentação do jovem investigador, Fredrik Bergstrom, investigador na Universidade de Coimbra, e vencedor do prémio APPE 2018 foram igualmente destacados pela organização, tendo o último apresentado os resultados do seu trabalho que explora a relação entre processos conscientes e memória de trabalho. O prémio APPE é atribuído anualmente a quem se distinguiu pelo trabalho em Psicologia Experimental em Portugal e serve de incentivo à produção científica e estímulo à sua qualidade.

Participaram ainda no Encontro investigadores de todo o país e vários alunos pré e pós-graduados do curso de Psicologia da Universidade de Évora, alunos de pós-graduação (principalmente doutorandos e investigadores júniores) das mais diversas universidades promovendo-se, desta forma, a psicologia experimental como via indispensável ao estudo do comportamento e vida mental (humana e animal). As várias edições têm-se realizado, desde a primeira em 2006, rotativamente nas diferentes universidades portuguesas e cujos docentes são membros da APPE (Universidades de Aveiro, Minho, Porto, Beira Interior, Lisboa, ICSTE; Instituto Superior de Psicologia Aplicada, Algarve). Este ano, pela primeira vez a Universidade de Évora integrou este grupo de trabalho. O programa incluiu ainda um Interlúdio Musical, "que embelezou e aliviou o que a metodologia experimental tem de mais árido" revelou Isabel Leite, mum momento assegurado por dois estudantes do Mestrado em Música da UÉ, Amanda Cunha (voz) e André Matuk (guitarra), protagonizando uma exibição "extremamente elogiada pelos conferencistas" sublinhou a professora de psicologia da Universidade de Évora. 

Publicado em 08.05.2019