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A Transformação digital na indústria e sociedade vista por António Cunha, diretor do Colab DTx

António Cunha, coordenador do Laboratório Colaborativo em Transformação Digital, o Colab DTx, proferiu hoje, dia 07 de maio, na Universidade de Évora (UÉ) a palestra intitulada “Digital transformation in the industry and in the society”.

O mundo está em constante mudança, depois de assistirmos a fenómenos como a globalização e outras transformações alavancadas pela ciência e tecnologia, urge pensar na forma e no modo de vida futura, capaz de conviver com o digital, a realidade aumentada e virtual, computação quântica, o alto desempenho da inteligência artificial, sustentar os padrões de qualidade de vida que a humanidade enseja, não descorando as questões da sustentabilidade ambiental e dos recursos, antes pelo contrário, deverá assumir-se como prioridade global.  

“Os desafios são muitos” lembrou António Cunha na palestra que decorreu no Antiteatro do Colégio Luís António Verney da UÉ dirigida sobretudo a estudantes e investigadores. “Hoje o tempo de vida da tecnologia é bastante curto e há ainda tanto para conhecer” realçou o diretor deste laboratório que se dedica-se à investigação aplicada em diferentes áreas associadas à transformação digital, incentivando a cooperação entre unidades de I&D, instituições de ensino superior e do setor produtivo em novos contextos colaborativos e de partilha de risco, potenciadores da criação de valor e de emprego científico qualificado.

Os exemplos são vastos, “a área das ciências e tecnologia quântica está a ganhar cada vez mais expressão do ponto de vista da sua aplicação em diversas áreas”, preconizando “mudanças fundamentais”; o 5G, também designada por Quinta Geração de internet móvel permitirá o transporte na rede de “volumes de informação incomparavelmente superiores ao de hoje, e de forma muito mais rápida”. A supercomputação é outra área na ordem do dia, “levando a uma competição a nível mundial para ver quem detém o maior e mais poderoso computador”. É uma evolução em contínuo.

Para António Cunha, estas e outras transformações digitais e tecnológicas podem gerar “perplexidade e preocupação”, mas “vão avançar no futuro, seja ao nível da investigação, seja ao nível empresarial, introduzindo novos produtos no mercado” onde a interface entre humano e artificial deverá ser estudada para “percebermos como relacionar com a máquina”. As mudanças tecnológicas na sociedade preconizarão também, mudanças a nível profissional e de emprego, “eliminando uns, alterando outros e criando novos associados às áreas às das tecnologias”.

“As Universidades têm que forçosamente criar outras competências e preparar-se para um mundo totalmente diferente” avisa António Cunha, Reitor da Universidade do Minho entre 2009 a 2017, afirmando nesta palestra que as Universidades “têm que forçosamente criar outras competências e preparar-se para um mundo totalmente diferente”. Na sua opinião, “temos que continuar a ser criativos, solidários e éticos, mas agora não apenas entre seres humanos, mas também com as máquinas, que possuirão inteligência”, reiterou.

“Estou certo que a nível do próprio ensino vai mudar muito, o conceito de aula vai certamente se alterar de maneira substancial. As universidades vão ser cada vez mais espaços de discussão – O Local de Encontro do Conhecimento Atractivo – onde no futuro, para atrair os estudantes temos que pensar em vários tipos de oferta, nomeadamente a questão da mobilidade (dentro e fora do espaço das Universidades), e oferecer atratividade também do ponto de vista das próprias instalações, que deverão ser confortáveis, tecnologicamente atrativas” sublinha, considerando ser “um processo desafiante paras as Universidades Portugueses”.

Recorde-se que a Universidade de Évora é uma dos parceiros do Laboratório DTx, um dos três polos principais deste CoLab, coordenado pela Universidade do Minho. O projeto procura incentivar a cooperação entre as unidades de Inovação e Desenvolvimento (I&D) das empresas, instituições de Ensino Superior e do sector produtivo, em novos contextos colaborativos e de partilha de risco. Procura ainda potenciar a criação de valor e emprego científico qualificado.

Abordar os novos paradigmas em produtos, nos serviços e na interface homem – máquina, assim como as consequentes mudanças na indústria e na sociedade, enquanto promove a pesquisa colaborativa e o desenvolvimento tecnológico, fazendo a ponte entre o conhecimento académico multidisciplinar e as diversas competências industriais é o grande objetivo deste Laboratório, que pretende igualmente criar emprego qualificado e emprego científico em Portugal, pela implementação de agendas de investigação e de inovação orientadas para a criação de valor económico e social.

Publicado em 07.05.2019