23 Novembro 2017
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UniverCidade
O futuro já começou (1)
Sob o título de UniverCidade, comprometo-me a levar ao público, através do Diário do Sul, uma série de crónicas focalizadas sobre temas de interface entre Évora e sua Universidade, de interesse para o Distrito e o Alentejo. Estas crónicas veiculam uma visão optimista, que é a minha desde que há mais de 32 anos me radiquei no Alentejo, e que me nortearam durante os 12 anos em que, como Reitor, presidi aos destinos da Universidade de Évora.
Poucas são as cidades que beneficiam, como Évora, da presença, no seu seio, de uma universidade. Em Portugal existem 156 cidades mas só 11 possuem essas instituições cimeiras do ensino superior, prestigiadas pela história, pela excelência de algumas das suas vertentes científicas, artísticas e pedagógicas; pelo papel estimulante que desempenham, a diversos títulos, no desenvolvimento sociocultural e económico; instituições produtoras e difusoras do conhecimento, exercendo essas funções de modo autónomo, mas não autista, relativamente às ideologias políticas e a quaisquer confissões religiosas.

Contudo, as universidades desempenham ainda uma outra função particularmente relevante nos tempos actuais: são indutoras de internacionalização. Pela própria natureza universal do conhecimento, as universidades permutam entre si investigadores, docentes e alunos. Em Évora, todos os anos, dezenas de investigadores e centenas de jovens de países europeus, do Brasil e dos PALOPs, vêm trabalhar e complementar os seus estudos na Universidade. O modo como forem acolhidos poderá fazer deles, ou não, futuros embaixadores de Évora. Para qualquer cidade, a projecção no Mundo constitui um factor determinante do seu desenvolvimento, nomeadamente porque potencia a atracção de investimento estrangeiro e, consequentemente, criação de emprego. Atente-se ao caso da EMBRAER cuja instalação em Évora foi determinada por vários factores, entre os quais a existência de uma universidade. E, de facto, a Universidade de Évora dispensa formações científicas e tecnológicas diversas que interactuam com a realidade da EMBRAER em múltiplas das facetas empresariais. Mas sobretudo, é expectável que da interacção entre a Universidade e a EMBRAER, e as outras empresas que se associam ao ramo da aeronáutica, possa despontar um efeito sinérgico, amplificador das oportunidades empresariais e académicas.

Foi assim que aconteceu, aliás, no Brasil. A EMBRAER nasceu e cresceu num Estado onde se faz sentir desde há muito o efeito estimulante da grande Universidade de São Paulo, a USP. Também por estas razões, a USP deverá ser encarada como um parceiro preferencial nos futuros projectos que a Universidade de Évora e a EMBRAER vierem a acordar. O protocolo de cooperação que, em 1996, tomei a iniciativa de subscrever com a USP, em São Paulo, facilitará agora a referida aproximação.

Regressando à internacionalização, afigura-se-me pertinente que a Cidade inscreva o tema no seu caderno de preocupações e institua uma política de recepção aos jovens estudantes estrangeiros que, de moto próprio, escolhem Évora para viverem um segmento das suas vidas, proporcionando-lhes facilidades de instalação, informação sobre a história e a cultura da região e, sobretudo, manifestando-lhes apreço pela sua estadia entre nós. Estou convicto de que eles serão, repito, os melhores embaixadores de Évora no Mundo.

Originalmente publicado no Diário do Sul, a 24 de Fevereiro de 2011.
Jorge Araújo | Antigo Reitor da Universidade de Évora
Publicado em 28.02.2011
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