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foto: HERCULES
HERCULES lidera análise do “Fresco do Bom e do Mau Juiz”

O “Fresco do Bom e do Mau Juiz” é a única pintura mural com uma temática política em Portugal. Localizado no novo Museu do Fresco, inaugurado na bienal cultural Monsaraz Museu Aberto, está a ser alvo de uma análise científica liderada pelo laboratório HERCULES da Universidade de Évora que se dedica ao estudo do património cultural.

 

 

Trata-se de uma representação alegórica da justiça terrena e divina descoberta em 1958 no antigo tribunal da vila medieval, em que o bom e o mau juiz são os elementos principais e que evidenciam as fórmulas tradicionais de isenção e corrupção humana. A datação do fresco não é ainda consensual, embora vários historiadores apontem para o final do século XV.

O estudo pluridisciplinar efetuado no laboratório HERCULES, Instituto dos Museus e da Conservação (IMC) e no Centro de Física Atómica da Universidade de Lisboa (CFAUL) teve como ponto de partida um pedido de apoio  de Custódia Araújo, uma aluna do mestrado “O Sul Ibérico e o mediterrâneo”  da Universidade de Évora. No decurso desta pesquisa, surgiu a parceria com a Câmara de Monsaraz para apoiar a transformação do espaço museológico existente para um museu do fresco.

Milene Gil, investigadora do HERCULES e a desenvolver um projeto pós-doc em pinturas murais em perigo no Alentejo foi a coordenadora dos exames feitos in situ e em laboratório que tiveram como objetivo complementar a  análise técnica e material realizada em estudos anteriores de modo a responder às novas questões levantadas pela historiografia. As técnicas utilizadas foram desde o registo fotográfico em luz visível e invisível (infravermelho e ultravioleta) até á análise com microscopia eletrónica de varrimento, espectrometria de absorção de infravermelho (micro-FTIR) e micro-Raman.

A Universidade de Évora participou na inauguração da bienal cultural Monsaraz Museu Aberto, que decorre até 29 de julho e os jardins da casa da Universidade de Évora em Monsaraz são palco de muitos dos eventos da bienal. 

Sofia Ascenso | UELINE

Publicado em 19.07.2012