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Cenoura dá força à Biotecnologia

O painel de "Engenharia Biológica e Biotecnologia" da FCT aprovou um projecto da Universidade de Évora sobre Biotecnologia Vegetal relacionado com a cenoura. Este projecto está a ser coordenado pelo grupo de investigação da Cátedra EU Marie Curie da UE, cuja responsabilidade cabe à investigadora Birgit Arnholdt-Schmitt.

E porquê agora a cenoura? A capacidade de aclimatização das plantas às diversas condições ambientais foi um processo desenvolvido durante a evolução, o qual apresenta um papel muito importante para a agricultura ao permitir a selecção de plantas que apresentem rendimentos mais elevados e estáveis, inclusivamente em zonas com condições ambientais desfavoráveis como as do Alentejo. Perante uma alteração das condições ambientais (stress) as células vegetais são obrigadas a desenvolver uma estratégia para reprogramar o seu funcionamento. Por exemplo, quando existe pouca disponibilidade de fósforo no solo, as células das raízes desenvolvem rapidamente muitos pêlos radiculares, os quais apresentam características específicas para melhorar a aquisição de nutrientes minerais do solo. Esses pêlos podem também exsudar substâncias que sinalizam e atraem fungos benéficos para a planta (micorrizas - AMF) estabelecendo-se uma relação benéfica para os dois organismos. Processos semelhantes podem também acontecer perante uma situação de escassez de água. A cenoura encontra-se entre os dez vegetais economicamente mais importantes a nível mundial e é a espécie vegetal mais estudada no âmbito da reprogramação celular devido à sua fácil capacidade para reprogramar as suas células. Por ambos os factores referidos a cenoura é considerada como planta modelo em diversos sistemas de investigação fundamental. Os genes que codificam a enzima oxidase alternativa (AOX), os quais se encontram envolvidos no processo de aclimatização das plantas, foram recentemente isolados de cenoura pelo grupo de investigação da Cátedra EU Marie Curie da UE, verificando-se apresentarem um padrão único comparativamente a outras espécies. Estudos a desenvolver permitirão descobrir a importância desse padrão único dos genes da AOX e também conhecer mais acerca do papel desempenhado por esses genes na adaptação das plantas ao stress ambiental. Os resultados permitirão contribuir directamente para a compreensão de questões existentes noutras espécies vegetais também estudadas pela Cátedra. O alvo principal da investigação da Cátedra está focado no desenvolvimento de marcadores funcionais utilizando genes envolvidos nas respostas ao stress e na sua aplicação para a selecção de plantas. A longa experiência científica da investigadora-coordenadora do projecto, Birgit Arnholdt-Schmitt, abrange várias áreas de investigação, incluindo em particular a Biotecnologia Vegetais, a Fisiologia Molecular, a Biologia Molecular, a Bioquímica, a Nutrição de Plantas e o Melhoramento Vegetal. Desta forma, a formação dos cientistas envolvidos no projecto é sempre interdisciplinar.
Publicado em 28.05.2012