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Investigador do Centro de Geofísica de Évora integra expedição italiana à Antártica
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Investigador do Centro de Geofísica de Évora integra expedição italiana à Antártida
O investigador auxiliar Daniele Bortoli contratado no âmbito do Ciência 2007 no Centro de Geofísica de Évora participa na XXVII Expedição Italiana à Antártida, sendo esta a terceira vez que se desloca à região, para prosseguir estudos no domínio das ciências da atmosfera, tendo também integrado já duas campanhas intensivas de medição em regiões do Ártico.

Daniele Bortoli encontra-se na base italiana "Mario Zucchelli" (-74.69º, 164.12º), desde o início de Dezembro de 2011 e permanecerá no local até ao final de Janeiro de 2012. A estação italiana na Antártida, incluindo os numerosos módulos de laboratório que se encontram nas redondezas da base, estende-se por uma área de cerca de 50000 m2. O investigador do CGE tem a seu cargo a monitorização atmosférica e a transferência de tecnologia através da manutenção e desenvolvimento (e instalação) de instrumentação avançada para a monitorização de constituintes atmosféricos a que se tem dedicado.

A investigação actual centra-se nos gases atmosféricos tais como o ozono e outros constituintes atmosféricos envolvidos no ciclo químico do ozono (NO2, ClO2, etc), importantes para o estudo e monitorização do “ buraco do ozono”. Insere-se no projecto liderado por Daniele Bortoli e financiado pela Fundação para a Ciência e Tecnologia "MATAGRO - Monitorização de constituintes atmosféricos minoritários na Antártida a partir de detecção remota de superfície", em parceria com o projecto italiano "SAMOA - Stazione Automatica per il Monitoraggio dell'ozono in Antartide". Daniele Bortoli integra desde a sua criação, em 2007, o Programa Nacional de Investigação da FCT para a Antártida e desde 2011 é um dos representantes nacionais na Comissão de Coordenação do Programa Polar Português – PROPOLAR.

O interesse da investigação polar para o Centro de Actividade em Meteorologia e Clima do CGE, deve-se fundamentalmente à necessidade de compreender a variabilidade do ozono, de outros gases minoritários e dos aerossóis na região da Antártida e o seu papel nas alterações climáticas.

Os valores colunares totais de NO2 e O3 que foram calculados para os 15 anos de actividade da instrumentação na Antárctida confirmaram a depleção da camada do ozono estratosférica, designada pela formação do “buraco” do ozono, que ocorreu na primavera antártica (Agosto-Outubro) na estação “Mário Zucchelli” durante os vários anos de medidas. Foi ainda possível demonstrar a ausência do “buraco” no ano 2002, quando ocorreu aquecimento da estratosfera (Sudden Stratospheric Warming – SSW).

O instrumento que se encontra instalado na estação “Mário Zucchelli” desde 1996 (GASCOD - Gas Analyzer Spectrometer Correlating Optical Differences) irá brevemente ser instalado paralelamente durante alguns anos e posteriormente substituído pelo sistema SPATRAM/GASCODNG (SPectrometer for Atmospheric TRAcers Monitoring/GASCOD New Generation), que foi desenvolvido pelo investigador no CGE em colaboração com o Istituto ISAC-CNR na Itália. Apresenta grandes potencialidades e inovações tecnológicas relativamente ao instrumento anterior, igualmente desenvolvido pelo CGE em parceria com o ISAC, o qual está instalado no Observatório de Física da Atmosfera do CGE desde 2004, único em Portugal e um dos poucos na Europa. Uma das inovações introduzidas foi o dispositivo MIGE (Multiple Input Geometry Equipment) recentemente desenvolvido por Daniele Bortoli que permite fazer medidas de radiação solar espectral dispersa em direcções diferentes da direcção vertical, possibilitando assim aumentar a sensibilidade do instrumento para gases com absorções à radiação inferior às do O3 e do NO2 (“Optically Thin Compounds” como oxidos de bromo de cloro e de iodo).

Publicado em 09.01.2012