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Foto: João Barnabé
Ministra da Agricultura na apresentação do projecto de apanha mecânica da azeitona da UE
A Universidade de Évora está a desenvolver o projecto “Máquina de colheita em contínuo de azeitona”. O equipamento, em versão pré-produção, foi apresentado no olival da Herdade da Torre das Figueiras, em Monforte, onde está a ser desenvolvida a parte experimental, e contou com a presença da Ministra da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Desenvolvimento do Território, Prof.ª Assunção Cristas.

Academia e empresa são os vértices do projecto desenvolvido pela equipa de investigadores de mecanização agrícola do Departamento de Engenharia Rural da Universidade de Évora constituída pelos Professores José Oliveira Peça, Anacleto Cipriano Pinheiro e António Bento Dias (Investigador responsável pela UE). Financiado pela Agência da Inovação, o equipamento desenvolvido, tendo passado a fase de protótipo, encontra-se na fase de pré-produção. O projecto conta com a empresa Vicort, especializada no desenvolvimento e fornecimento de maquinaria para a fileira florestal, agricultura e ambiente. O equipamento está vocacionado para o olival intensivo, com cerca de 400 árvores por hectare, e destaca-se pela abordagem lateral feita às árvores, pelo uso do tractor agrícola como fonte de potência e pela versatilidade e adaptabilidade a qualquer exploração.

A linha de trabalho na mecanização da olivicultura teve início em 1995, quando os investigadores se começaram a aperceber do desenvolvimento do sector da olivicultura em Portugal e do seu potencial económico mas também do facto de se tratar de uma área muito deficitária em termos de tecnologia. Entre o olival tradicional, suportado essencialmente por mão-de-obra, e o olival super intensivo com uma tecnologia apurada, baseada nas máquinas de vindimar, nasce para um nicho de mercado, o projecto da Universidade de Évora: duas máquinas, simétricas, com peças em comum que abordam a linha de arvores lado a lado.

Neste momento, o projecto entra na fase de desenvolvimento de produto, fase em que as universidades e os centros de investigação já não costumam estar envolvidos. “Este é um problema que vai surgir agora. Não temos experiência desta fase essencial. Se houvesse financiamento para construir mais máquinas, seriam os próprios olivicultores que nos dariam o feedback, mas para isso é preciso dinheiro. Outra hipótese é vender a ideia a um grande fabricante que continue o processo” refere o Professor Oliveira Peça, um dos investigadores do projecto.

Tiago Garcia, Lourenço Machado, João Rego e Hugo Sousa são licenciados em Agronomia pela UE e estão a trabalhar como operadores da máquina. “Trabalhamos com os professores em parceria com a empresa. Temos formação em mecanização agrícola, aprendemos com a empresa a conhecer melhor a máquina e também ajudamos a fazer melhorias” refere Hugo Sousa, aluno do mestrado em Engenharia Agronómica.

Para a Ministra Assunção Cristas, “juntar a universidade e as empresas no desenvolvimento de uma máquina inovadora demonstra que, com inovação, agregação de vontades e espírito de equipa, é possível gerar conhecimento e inovação em Portugal e a agricultura precisa disso.”

A presença dos jovens estudantes de licenciatura e de mestrado da UE no terreno a operar a máquina é “um belíssimo exemplo” segundo a Ministra, que “inspira, estimula e dá boas perspectivas de esperança neste sector”. “Precisamos que os jovens venham para a agricultura e ponham a mão na terra. Esta ideia de que temos um sector dinâmico e inovador que apela aos jovens é muito importante porque precisamos de fazer esta renovação no mundo da agricultura”.

Sofia Ascenso | UELINE

Publicado em 14.12.2011