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Professor da Universidade de Évora em missão na Antártida
Foto: cedida pelo autor
Professor da Universidade de Évora em missão na Antártida

António Correia, docente e investigador na Universidade de Évora vai participar em mais uma missão à Antártida de cerca de 5 semanas. Com início a 26 de Janeiro, esta será a sua quarta missão com o objetivo de estudar a evolução temporal e espacial do permafrost nas ilhas Livingston e Deception, localizadas junta à Península Antárctica.

Na Ilha Livingston António Correia ficará instalado na Base Antártica Búlgura St. Kliment Ohridski. Já na Ilha Deception o docente estará na Base Antárctica Espanhola Gabriel de Castilla.

A missão insere-se no Programa Propolar (Programa Polar Português) e tem como principais objetivos a manutenção de sensores de temperatura, que permitem medir a temperatura de maneira praticamente contínua em furos, realizados em campanhas anteriores e a prospeção geoelétrica para determinar a variação da profundidade do permafrost no solo.

A importância destes estudos na Península Antártida advém do fato de esta ter apresentado um aumento médio da temperatura do ar de cerca de 2,5 ºC nos últimos 50 anos.

Por definição, o permafrost é a parte do solo ou rocha que se encontra a temperaturas inferiores a 0º C durante, pelo menos, dois anos seguidos. Por cima do permafrost encontra-se, normalmente, uma camada que congela e descongela sazonalmente, a que se dá o nome de camada ativa. O permafrost é um bom indicador climático uma vez que, o aumento (ou diminuição) da temperatura média da atmosfera origina uma variação da profundidade do topo do permafrost. Assim, ao medir-se a profundidade do topo do permafrost, podem-se inferir variações da temperatura à superfície do solo e avaliar possíveis alterações climáticas na Península Antárctica. Em termos simples, pode dizer-se que uma diminuição da profundidade do topo do permafrost (ou diminuição da espessura da camada ativa) corresponde a uma diminuição da temperatura média da atmosfera e um aumento da profundidade do topo do permafrost (ou aumento da espessura da camada ativa) corresponde a um aumento da temperatura média da atmosfera.

Publicado em 22.01.2013