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"Habitar a Terra" aposta em técnicas de construção ancestrais

Na semana em que se comemora o Dia Mundial do Ambiente, a Universidade de Évora (UÉ), através da Escola de Artes promoveu a Aula Aberta “Habitar a Terra”, focada nas pontes que se podem estabelecer entre habitação e economia circular.

Na presença da Reitora da UÉ, Ana Costa Freitas, da Secretária de Estado da Habitação, Ana Pinho, e do Ministro do Ambiente, João Pedro Matos Fernandes, os promotores desta aula aberta, que decorreu no dia 5 de maio na Biblioteca Jorge Araújo do Polo dos Leões, recordaram que “a arquitetura de terra acompanhou a humanidade desde os seus primórdios”, estimando-se que, atualmente, “um terço da população mundial habita ou trabalha em edifícios que integram tecnologias e materiais de terra crua”.

Em Portugal, este tipo de arquitetura “sempre teve uma forte implantação, em particular no sul do país”, surgindo nos últimos tempos, vários exemplos de projetos e obras de arquitetura contemporânea que recorrem a estes materiais e tecnologias, a par com a investigação e criação de novos produtos. As mais-valias para a sustentabilidade ambiental, do ponto de vista material, energético e redução de resíduos são claras, e foram expostas por Víctor Mestre, arquiteto e investigador na área da arquitetura vernacular e do património, e por Francisco Seixas, responsável da empresa de projetos e obras de arquitetura “Betão e Taipa”.

Para Ana Costa Freitas, o “conhecimento, investigação pertinente e de qualidade e a formação de cidadãos preparados” constituem-se fundamentais para enfrentar os desafios de um “mundo em mudança”, encontrando na UÉ o lugar para “identificar os desafios com que lidamos, estudar os fenómenos, propor soluções e formar cidadãos conscientes e com valores”, rumo a um “mundo mais equilibrado”, sustenta.

A Reitora da UÉ considerou ainda nesta aula aberta que, o interior do país, nomeadamente o Alentejo, oferece o “ambiente e massa crítica para desenvolver soluções eficazes”, dando como exemplo a investigação na área da cortiça, surgindo com novos materiais e “renovados usos”.

Coube ao ministro do ambiente, José Pedro Matos Fernandes, lançar o desafio ao setor da construção a optar por técnicas mais eficientes, e recorrer a "técnicas ancestrais", manifestamente mais eficientes, como é exemplo a arquitetura e construção em terra, por forma a “poupar os recursos naturais”. Este tipo de projetos são "muito bem-vindos" reforça o ministro, onde o Governo poderá "financiar novas técnicas de construção e de as tornar ainda mais eficientes a partir desta forma ancestral de fazer construção".

Na opinião do ministro, devemos apostar na "economia regenerativa de recursos que faça com que os bens tenham o seu valor económico durante mais tempo" em oposição à economia linear, que “extrai, transforma, usa e deita fora", destacando aqui o setor da construção, “que tem a mais baixa eficiência material”, onde "são precisos mais quilos de matéria para poder produzir um euro de valor", refere o governante.

Para mudar este paradigma, o papel das universidades e unidades de investigação são, para José Pedro Matos Fernandes, “absolutamente determinante em todos os desafios ambientais nos próximos anos”, através da capacidade de encontrar soluções de armazenamento de energia a partir de fontes renováveis, criação de baterias mais eficientes, ou pela utilização de materiais remanufaturados, reutilizados ou reciclados.

O responsável pela pasta do ambiente ressalvou ainda que, falar em construção em terra "não é estar a fazer loas ao passado", mas sim, dar a conhecer "o trabalho magnífico" da UÉ e das empresas que utilizam estas técnicas.

Publicado em 05.06.2018