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Cientistas (sempre) em Ação

A décima terceira edição do Congresso Nacional Cientistas em Ação (CNCA) continua a manter vivo o espírito inicial: valorizar as atividades experimentais realizadas no espaço letivo, promover e desenvolver o espírito crítico e científico nos mais jovens, alunos desde o 1.º ciclo do ensino básico até ao ensino secundário.

Promovida pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, a iniciativa decorreu de 18 a 21 de abril, nas instalações da instituição, atraindo os estudantes para as áreas da ciência e da tecnologia, numa edição que contou com a participação de cerca de 280 alunos e professores de 17 escolas do país, num total de 59 trabalhos a concurso.

As manhãs frescas de abril não impediram o sol alentejano de brilhar na fachada branca e imaculada do Convento das Maltezas ou de S. João da Penitência, classificado como Monumento Nacional, - em particular o Claustro da Misericórdia – local onde o Centro Ciência Viva de Estremoz e polo da Universidade de Évora se instalou em 2005. Trata-se de um edifício quinhentista de estilo gótico-manuelino, no qual foram aplicados na sua construção predominantemente os materiais regionais, como não poderia deixar de ser, destaque para o mármore de Estremoz, alvenaria e azulejaria, aspetos arquitetónicos e artísticos que merecem um olhar especial para este edifício.

No interior do edifício, os jovens congressistas apresentam os seus trabalhos sob o olhar atento do júri, presidido por Ana Basaloco, responsável pelos Serviços de Educação do Município de Estremoz. Satisfeita por colaborar desde praticamente a primeira edição, a responsável pelos caminhos da educação estremocense destacou o crescente número de participantes e a qualidade dos trabalhos, ainda que, na sua opinião, o objetivo seja “suscitar a curiosidade dos alunos para a área das ciências”, criticando que o sistema educativo esteja focado no “cumprimento dos programas”, em oposição ao “desenvolvimento da criatividade e gosto pela investigação”.

Inspirar o gosto pela ciência e “espicaçar” a curiosidade dos mais novos parece ser a tónica deste Congresso. Rui Dias, Diretor do CCV de Estremoz, confessa que esta é umas das atividades privilegiadas pelo centro que dirige, que pretende “reproduzir um congresso científico”. O professor do departamento de geociências da UÉ justifica a aposta, porque “a par da investigação, umas das coisas muito importantes para os investigadores é a troca de ideias, receber críticas e sugestões” e aqui os alunos habituam-se a essa crítica construtiva, “o contrário daquilo que as pessoas no dia-a-dia sentem” salienta este professor destacando ainda que, ao longo das edições tenham sido apresentados “trabalhos “excecionais”, sobretudo produzidos por alunos do ensino secundário, alguns deles considerados por este professor “verdadeiros trabalhos científicos”, num evento que, anualmente conta com a participação de cientistas e outros elementos ligados à ciência e ao ensino experimental.

Ana Isabel Feitor, professora da Escola S. José Ramalhão de Sintra, acompanhada pelos seus alunos, participam nesta iniciativa há cerca de 4 anos, para “uma averiguação externa” dos trabalhos que desenvolvem em contexto de sala de aula, um dos quais debruça-se sobre a condutividade dos metais. Já para Filomena Gominho, professora da Escola EB 2,3 de Alapraia é uma estreia, mas resolveu participar com os seus alunos por constituir uma “boa oportunidade de transmitir ideias e ouvir opiniões diferentes”, apresentando-se com projetos na área da físico-química.

Em causa está o conteúdo científico, a originalidade, a comunicação teórica e a apresentação experimental como critério de avaliação destes projetos, decidindo o júri atribuir no primeiro dia de trabalhos, apresentado por alunos do 1.º ciclo do ensino básico, Dia Galopim de Carvalho, o primeiro lugar ao projeto “o chá misterioso da Rainha”, desenvolvido pelos alunos Beatriz Choças, Carolina Carriço, Guilherme Raminhos, Pedro Martins, coordenado pela professora Joana Magarreiro e Silva, da Escola Básica do Caldeiro de Estremoz. Na presença do homenageado, alunos e professores tiveram ainda a oportunidade de conviver com este professor catedrático, doutorado em Geologia, Medalha Municipal de Mérito Científico atribuída pela Câmara Municipal de Lisboa em 2016.

No segundo dia de trabalhos, de homenagem ao geólogo e mineralogista francês Déodat Dolomieu, os trabalhos apresentados por alunos do 2.º e 3.º clico de ensino básico tiveram como vencedor o projeto “Foguetão de CO2”, desenvolvido por Gonçalo Luís, João Infante, Rocha Martins, coordenados pela professora Mª Isabel Ribeiro da escola básica de Alapraia.

Já no último dia de trabalhos, tempo para os alunos do secundário mostraram os seus conhecimentos, uma homenagem ao Professor António Ribeiro “Decano dos geólogos portugueses”. O júri destacou o projeto “Avaliação dos níveis de mercúrio de uma população de jovens portugueses entre os 12 e os 18 anos” desenvolvido por Afonso Mota, Bernardo Alves, João Leal, Miguel Guerreiro, e Professor João Carlos Gomes, do Colégio Valsassina, Lisboa, alcançado assim o primeiro lugar.

A iniciativa  que decorrer anualmente, é promovida pelo Centro Ciência Viva de Estremoz, Escola de Ciências e Tecnologia da Universidade de Évora e Instituto de Ciências da Terra, em colaboração com a Câmara Municipal de Estremoz e a Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica - Ciência Viva.

Publicado em 04.05.2018