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Encontro com Gonçalo M. Tavares

Antes de receber o prémio Vergílio Ferreira na Universidade de Évora, o escritor Gonçalo M. Tavares esteve à conversa com alunos, entusiastas da sua obra e todos os que não quiseram perder a oportunidade de escutar o escritor galardoado pela UÉ, devido à "originalidade da sua obra ficcional e ensaística".

O autor de Jerusalém, cuja obra pode remeter para as memórias do holocausto, e a uma loucura individual nas suas múltiplas realidades, chama-nos a atenção que essa «filosofia» - a existência de uma “fábrica da morte, “não faz parte, em absoluto, do século XX, mas sim e também do século XXI, a qual não pode ser esquecida nas manifestações artísticas e culturais”.

Dotado de pensamento lógico, e dono de uma narrativa fria salpicada de um humor irreverente, Gonçalo M. Tavares sublinhou que, para escrever é preciso tempo; “tenho necessidade de tempo para a introspeção e de um certo recolhimento”, reconhecendo que, e dirigindo-se aos mais novos, é “hoje praticamente impossível ser-se intelectual” dado os inúmeros estímulos tecnológicos a que estamos sujeitos, impedindo a uma concentração que é essencial. É preciso, alega, “termos um foco”, porque, como referiu, “ser escritor é um modo de vida”.

Neste encontro literário com o “seu” público, o escritor, entre as várias ideias que partilhou, fez questão de sublinhar que “a literatura têm infinitas formas”, opondo-se à ideia de categorização e a um certo espartilho nas estantes das livrarias, até porque, como defende, “cada livro deve inaugurar um novo género literário”.

Respondendo ao repto lançado por António Saez Delgado, professor do Departamento de Linguística e Literaturas da Universidade de Évora, o escritor, deixa como recomendação de leitura (aos mais jovens, e não só), a obra «Crime e Castigo», de Fiodor Dostoïevski, considerado um dos maiores romancistas e pensadores da história.

Publicado em 02.03.2018