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Divulgados resultados sobre prevenção e tratamento do tabagismo

O resultado de um estudo de avaliação das competências profissionais no âmbito da prevenção e do tratamento do tabagismo no final da formação pré-graduada dos cursos de Ciências Farmacêuticas, Enfermagem, Medicina e Medicina Dentária, foi apresentado dia 15 de novembro na Universidade de Évora.

Coordenado por Jorge Bonito, professor do Departamento de Pedagogia e Educação da Universidade de Évora sob proposta da Direção Geral de Saúde (DGC), o estudo teve como objetivo “perceber o cumprimento da lei 37/2007 de 14 de agosto”, que define a formação em prevenção e tratamento do tabagismo nos cursos de formação pré-graduada de medicina, medicina dentária, enfermagem e de farmácia.

Em declarações ao Gabinete de Comunicação da UÉ, Jorge Bonito, esclareceu que a DGC pretendeu saber, “se os alunos estão ou não a ser capacitados quanto à sua perceção no domínio do tratamento, prevenção e controlo do tabagismo, quer na formação teórica quer na formação prática”, mas os resultados “não são animadores”, afirma este professor na área da educação para a saúde da UÉ.

O estudo conclui que em matéria de conhecimentos teóricos, a maioria destes alunos “domina um conjunto de conceções adequadas ao quadro que neste momento existe”, mas quando analisadas as competências e formação prática que os alunos receberam durante a sua formação, bem como as competências práticas de intervenção, os resultados “são muito negativos”, indicando ainda que “os alunos auto prececionam-se sem capacidades para intervir”. Quando pedido “que se posicionem numa escala de 1 a 10 relativamente à sua capacidade para intervir”, sendo que 10 seria o ideal, “a média registada em todos estes cursos, foi apenas de 5,4%”.

As prevalências de consumo de tabaco destes alunos situam-se entre os “19%, 20% ou mais”, não apresentam prevalências diferentes de estudantes de outras áreas de formação. Para Jorge Bonito, este dado é significativo por vários motivos: por resultar em “problemas de saúde para os próprios”; estes profissionais “devem ser encarados como modelos para os utentes”; os alunos “não se sentem capacitados para intervir”.

Conhecidos os resultados, é “necessário sensibilizar os órgãos das Universidades, nomeadamente os conselhos científicos, para que estas matérias estejam presentes de uma forma mais evidente e duradoura”. Na sua opinião as Universidades devem dar “um sinal claro” e apostar fortemente na temática, uma vez que “a maioria dos alunos refere que teve apenas, entre duas a quatro horas de formação para o tabagismo”. A ideia é igualmente defendida pelas associações de estudantes presentes nesta sessão, onde a par da formação formal, deverá existir uma aposta na educação não formal. 

A DGS pretende “ampla difusão dos resultados, e entre outras medidas, incrementar, de modo significativo, o número de horas destinadas à temática da prevenção e do tratamento do tabagismo na formação académica; avaliar sistematicamente os conteúdos dos curricula de tabagismo nos cursos de formação pré e pós-graduada dos profissionais de saúde, numa estratégia que deva incluir treino em programas de advocacy para o controlo do tabagismo e de skills para cessação do tabagismo.

O Relatório foi elaborado por uma equipa formada por médicos, médicos dentistas, psicólogos, estatísticos, farmacêuticos e enfermeiros, das universidades de Évora, Porto, Coimbra, Aveiro, Lisboa, Nova de Lisboa, Algarve e do Instituto Politécnico de Viseu.

Publicado em 23.11.2017